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Rio - Já escrevi aqui neste espaço do Direto da Redação contra o que chamo de ?Injustiça do Trabalho?. Há mais de três anos, com uma sentença favorável a mim, dada por uma juíza, não consigo receber a indenização que me deve o periódico que se chama ?Jornal dos Sports?. A rigor, não há santo que dê jeito. O Ministro do Trabalho está sempre na televisão falando em milhares de empregos com carteira assinada, supostamente obtidas durante sua gestão. Mas eu pergunto: de que valem carteiras assinadas se os patrões ? de modo geral ? não tomam conhecimento da existência delas na hora de demitir funcionários? Da ?Injustiça do Trabalho?? Piada de péssimo gosto porque ela não funciona, a não ser para os empregadores.
Hoje, depois do carnaval de ?choque de ordem? do prefeito carioca ? choque que, por sinal, de nada valeu ? volto minhas baterias para o ?Encosto de Renda?. É possível que por não conhecer o governador de Brasília, José Roberto Arruda, nem o cara do dinheiro nas meias, não esteja nas graças da ?Receita (?) Federal?. E explico: acabei de completar 70 anos (não preciso mais votar), sou aposentado pelo INSS (que realmente funciona), não tenho automóvel, não possuo imóvel (pago aluguel onde vivo) e nem tenho um mísero e escasso alfinete de minha propriedade particular (a não ser, é lógico, este computador que comprei à prestação e que, felizmente, acabei de pagar).
No entanto, meu CPF, coitado, segue irregular há anos, por mais que eu peça a especialistas para fazer minha declaração anual de ?Encosto de Renda?. Como sempre fui um aluno ruim em matemática, física, química e descritiva ? daí porque fugi para o clássico e terminei colega de Eliakim Araújo na Faculdade Nacional de Direito ? não consigo entender por que não recebo um mísero e escasso centavo de devolução , pois sou colaborador de uma emissora de televisão e lá desconto o maldito ?Encosto de Renda?. Confesso que tenho receio de que, qualquer dia, funcionários da ?Receita? venham me prender em casa por sonegar o que não recebo. Vai ser feia a coisa...
Em poucas e resumidas palavras ? como diria mestre Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa ? acho que para a declaração de 2010 vou ?inventar? alguns imóveis de minha propriedade, automóveis e faturamentos estranhos como o de José Roberto Arruda, de Brasília. Talvez, aí, percebendo que mudei de perfil, o ?Encosto de Renda? me devolva alguma coisa, nem que seja a liberação completa e absoluta do meu CPF. Talvez os ?cérebros? da ?Receita? imaginem que sou um ?bacana?, no exato sentido da palavra, e não queiram briga comigo. Vou confessar que sou proprietário de uns barracos na Rocinha, que tenho dois Fuscas 68 e que arrecado dinheiro na praia vendendo água de côco, queijo coalho e coisas desse diapasão.
A verdade, verdadeira, é que me sinto ótimo não mais tendo que votar. Chega de papagaiadas, perseguições a empregados, proteção a patrões, gente que guarda dinheiro nas meias e funcionário públicos de Brasília. Aliás, tive um ganho gigantesco na minha aposentadoria e acho que com ele vou me safar. O governo Lula me presenteou com seis por cento de aumento. Não é uma fortuna?
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