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Rio - No ano da graça de 1978, pouco antes da Copa do Mundo da Argentina, a Seleção Brasileira fez uma excursão à Europa e Ásia, sob o comando do técnico Cláudio Coutinho (1939-1981). O então editor de esportes do Jornal do Brasil, João Máximo, enviou uma equipe para cobrir jornalisticamente os seis jogos programados: Márcio Guedes (repórter), Ary Gomes (fotógrafo), José Inácio Werneck (colunista), o locutor que vos fala (coordenador) e João Saldanha (1917-1990), trabalhando como colunista para o JB e, também, como comentarista da Rádio Globo. Foram ao todo seis partidas: França, Alemanha, Arábia Saudita, Inglaterra, Itália e Espanha.
Em poucas e resumidas palavras, foi um belo périplo, prejudicado no início porque a Air France ? certamente como medida de economia ? nos acomodou a todos (jogadores, comissão técnica e jornalistas) a bordo de velhos e cansados Caravelles, totalmente superados já àquela época. Em razão de uma matéria minha, publicada pelo JB, a companhia aérea francesa decidiu ?demitir? os Caravelles e no lugar deles nos colocou à disposição os novos e confortáveis Airbus. Mas a estréia do primeiro vôo no Airbus, com destino à Arábia Saudita, ficou marcada por um incidente, envolvendo todos os brasileiros com a polícia de Roissy, onde fica o moderno Aeroporto Charles de Gaulle, substituto do superado Aeroporto de Orly.
Em determinado momento, fomos impedidos de embarcar em razão do furto de um relógio Rolex de ouro numa das lojas do terminal do aeroporto. Eu, Márcio Guedes e Ary Gomes ficamos juntos, com nossas bolsas de mão fechadas, com receio de que o Rolex fosse colocado numa delas para nos acusar. Só hoje, 32 anos depois, através do depoimento de um radialista (não posso revelar seu nome), fiquei sabendo quem se aproveitou da distração da jovem vendedora: um jogador da Seleção Brasileira. Furto efetuado (Eliakim Araújo, advogado, sabe que roubo pressupõe violência), para fugir ao flagrante, ele colocou o relógio no bolso do radialista.
O radialista, esperto, malandro, pegou o relógio e o atirou para baixo de uma das poltronas do terminal. Não iria carregar o valioso objeto de um furto e, injustamente, ser surpreendido numa vistoria. Mas o jogador, segundo fui informado, ainda procurou o Rolex por baixo das poltronas. Se achou ou não, meu informante não sabe. O fato é que só embarcamos para Jeddah (capital administrativa da Arábia Saudita, às margens do Mar Vermelho), com escala em Atenas, porque o chefe da delegação, André Richer, responsabilizou-se pelo furto diante do delegado de Roissy.
Alguém se habilita a dizer quem terá sido o jogador? Eu sei. Sei mas não digo. Posso dizer apenas que já não está entre nós.
Não mais me interessei pelo assunto, até porque havia estudado um livro sobre o islamismo e queria ver in loco como se comportariam os árabes. E reparei que eles foram extremamente duros com os jornalistas, proibindo-os de tirar fotos, alegando que a fotografia ?furtaria? a alma do fotografado.
E mais: naquela época, as mulheres americanas que ocupavam o Al Khandara Hotel (esposas de técnicos americanos da Aramco (Arabian American Company) não podiam entrar na piscina para não ?conspurcar? a água. Mas há várias outras constatações que não cabem neste espaço do Direto da Redação.
Perdoem os leitores, mas fica para outra vez.
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